Bebês (e mortos) a Bordo

Devido a longos trajetos, com vôos de até 16h de duração, a Emirates possui grandes estatísticas de mortes e partos a bordo. Por isso, ontem tivemos uma aula de extremos, como fazer um procedimento de parto e como embalar um corpo. Claro que os procedimentos são bizarros!

Em média, ocorreram 1 parto por ano desde a fundação da empresa, este ano, porém, houveram 2 partos. Aprendemos a parte teórica do parto e depois a prática com bonecos. Após a aula assistimos um vídeo de um parto normal. As meninas ficaram chocadas, os caras ficaram com nojo e eu, sempre fugindo a regra, fiquei me perguntando: “Onde Deus estava com a cabeça quando decidiu que vagina também serviria pra isso?!”. E pra quem disser o contrário, eu desafio a ficar olhando um bebê entalado pelos ombros durante alguns segundos. De fato, é uma cena impressionante. Fiquei pensando na minha mãe e no tamanho da minha cabeça. Pobre coitada!

A segunda parte do dia foi para aprender a como lidar quando uma pessoa morre durante o vôo. E isso acontece muito! Os procedimentos seriam engraçados se não fossem trágicos. Por exemplo, se o cara morre no meio do avião, a gente coloca numa cadeira de rodas, cobre com cobertor e coloca máscara de oxigênio, como se tivesse viva, isso pra não assustar os outros passageiros. Como naquele filme “Um morto muito louco”, o qual os dois caras colocam uns óculos no morto e saem por aí.

Cena do filme "Um morto muito louco (Weekend at Barnie's)".

Outra coisa bizarra é que se caso da pessoa esteja viajando com alguém da família, não podemos, de forma alguma, afirmar que a pessoa morreu, pois afinal não somos médicos. Ou seja, o diálogo seria mais ou menos assim:

- Senhor, fizemos o que podíamos, mas sua esposa não responde as massagens cardíacas.
- Mas ela morreu?
- Não podemos afirmar isso, senhor. Mas você poderia nos ajudar a colocá-la num saco plástico?

Tá, ok! A gente nunca pediria ajuda ao marido da finada, mas temos que ensacar o presunto sem afirmar que a mulher morreu. Como, Dio mio?! Quando eu perguntei se era isso mesmo, a treinadora falou “sim, mas deixa o rosto pra fora do saco”. Ok, ajuda muito! Vá que o morto queira respirar, né? Imagine se abre o olho!

É cada uma! E eu que pensava que ser publicitário era bizarro.

Sobre @danrodrigues

Um gaúcho que gosta de mostrar as coisas que vê.
Esta entrada foi publicada em Dubai, Emirates. ligação permanente.

2 respostas a Bebês (e mortos) a Bordo

  1. Priscilla Vieira diz:

    Cada plavra tua parece que tô te ouvindo contar todas essas histórias! hehehehe… Beijos, amore.

  2. Engracado e tragico, so você mesmo amado! Adorei! Experiencias para uma vida!

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