Calcutá, Índia

07/02/2011 — 5 comentários

Chegamos em Calcutá, Índia, bem cedo. Ja no aeroporto senti o drama. A sujeira do local fez eu esquecer de quando eu vi uma barata no banheiro do aeroporto do Galeão, que fez eu passar meses falando disso. Você sai do avião e não encosta em nada, pois o quantidade de lixo é absurda já na ponte que liga a aeronave até o portão de desembarque, além disso havia umas 6 cadeiras de rodas destruídas que deixava a ponte telescópica parecendo um hospital de filme de terror. No estacionamento do aeroporto as crianças vem agarrar e pedir comida, e não só crianças, mas pessoas mais velhas também. Se você é branquelo como eu, esteja preparado, eles vem pra cima mesmo. É algo de cortar o coração e assustador ao mesmo tempo.

Indianos cortando cabelo às magens do Rio Ganges

Passamos por uma boa parte da cidade e só o que vimos foi miséria e sujeira. Eu nunca pensei que existiria uma cidade tão suja. As pessoas fazem necessidades na rua. Há vacas espalhadas pela cidade. Sim, eu sei que elas são sagradas, mas elas são muito sujinhas! Poderiam dar um banho nelas, né? E o pior, se elas morrem no meio da rua, lá elas ficam até decompor por completo.

Chegamos no hotel e toda tripulação resolveu ficar descansando na piscina ou na massagem. Eu convidei uma colega pra sair pela cidade. Alugamos um taxi para passar a tarde e um taxista que falava inglês. O motorista era muito gente boa, nos levou pra conhecer toda cidade e a conta no final foi de U$ 10, 00 dólares. Fomos conhecer a casa onde morou a Madre Teresa de Calcutá, o Memorial Victoria e uma igreja na qual conheci o seu John, um senhor muito simpático que mora lá e que tocou piano só pra a gente ver.

O trânsito é infernal. Todos os motoristas buzinam o tempo todo. Você não sabe pra onde olhar, pois no momento que todo mundo buzina junto, aquilo vira uma espécie de musica e acaba não tendo a função que uma buzina tem, a de chamar a atenção. Ninguém chama a atenção de ninguém no trânsito. Os pedestres atravessam na frente de todos os carros sem medo de ser feliz. Aposto que se olhar de cima, as pessoas atravessando a rua devem parecer bolinhas de pinball correndo de um lado pro outro. Os taxis não tem cinto de segurança. O nosso taxi era relativamente novo e mesmo assim não tinha cinto. Quem me conhece sabe que eu odeio andar sem a droga do cinto, e passar o dia todo naquele trânsito infernal sendo jogado de um lado pro outro dentro do carro não é nada agradável.

A pior parte pra mim com certeza foi no final da tarde, depois de ver tanta miséria e sujeira na rua, chegar em um hotel de luxo, cheio de segurancas, foi algo que me fez pensar muito. A coisa era tão sem cabimento que tinha indiano sorrindo pra gente por todos os lados. Se eu tivesse no lounge exclusivo para tripulação (foto abaixo) vinha um me dar bom dia e ia embora. Quando eu ia ao banheiro tinha um indiano para apertar o botao do sabão, abrir a torneira da pia pra mim e me acompanhar até a porta. Teve uma hora que eu pensei que se eu resolvesse urinar, ele iria chacoalhar pra mim. E ver ele sorrindo me deixava mal, pois fora do hotel as pessoas me imploravam comida e eu lá com o meu “personal apertador de botão de sabão Tabajara”.

E nas horas que perdi o sono, dei uma boa vasculhada nos canais de TV, só tinha musicais de Bollywood e notícias sobre a crise no Cairo. Até a MTV é com músicas de tik tik. O vídeo abaixo estava tocando enquanto eu tentava dormir, deu até vontade de dançar.

A cidade rende boas fotos, mas não é um destino que eu gostaria de fazer de novo. Se eu fizer, talvez passe como o resto da tripulação, trancado no hotel. Depois que cheguei em Dubai, acordei 5 vezes durante a noite e sempre voltava a ter pesadelos com a cidade. Vou tentar esquecer as partes feias e lembrar da Índia um pouco mais colorida.

5 responses to Calcutá, Índia

  1. 

    eu amei essa musica indianaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!!

    demais!!!! muita vontade de dançar aquelas coreografias que eles fizeram no video! obrigada dan, por me apresentar essa preciosidade indiana! heheh

    beijosssssss

  2. 

    ótimo post dan!
    infelizmente é essa a realidade de muitos países, até de alguns lugares do brasil, guardadas as proporções. acho importante você ter optado por conhecer a cidade e a nova cultura ao invés de ficar na piscina e massagem. é dessa maneira, conhecendo várias realidades e refletindo sobre elas que a gente aumenta nossa visão de mundo e cresce como ser humano! ui, falei bonito!
    de resto, aposto que outras cidades virão e você vai poder aproveitar cada uma delas de maneira diferente!
    beijossssssss
    e keep writing!

  3. 

    Dan, tu vai acabar publicando esses posts num livro! Deixa que eu faço o copidesque 😉

Trackbacks and Pingbacks:

  1. Uganda! | Dan Rodrigues - Dezembro 4, 2011

    […] para sair comigo. A cidade é deprimente. Muita pobreza e eu só não fiquei assustado, pois, desde Calcutá, acho que estou ficando com o olho acostumado com diferentes […]

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