Problemas em Contraplongê

20/09/2011 — 2 comentários

Ontem em um vôo à India havia um passageiro bebendo alguma bebida alcóolica, possivelmente whisky. Durante uma pequena turbulência, ele, sem querer, virou a bebida na roupa de uma senhora. Ela, por sua vez, vestida de abaia, roupa tipicamente árabe.

A senhora então ficou cega de raiva, gritava para todo mundo ouvir, o homem ficou com tanta vergonha que me implorou para trocar de lugar. Enquanto a mulher gritava, todo mundo levantava pra ver o que estava acontecendo. Ela gritava cada vez mais alto “o que eu posso fazer agora?!!!”. O senhor pedia desculpas, e ela continuava dizendo “o que eu faço com as suas desculpas? o meu marido vai sentir o cheiro de álcool no meu corpo! O que eu posso fazer agora?”.

Por alguns segundos, até que aquilo virasse numa coisa maior, eu fiquei olhando pra ela e pensando que as vezes a gente se desespera, grita para todo mundo ouvir os problemas, os mais sem noção até postam no Facebook, e em 90% das vezes os nossos problemas são tão idiotas para os outros. Vi que algumas pessoas ainda riam da situação e fiquei imaginando ainda pessoas rindo de bobagens que a gente reclama, de tão pequenas que são perto do problema dos outros.

Na linguagem cinematográfica existe um plano que chama-se Contra-plongê, ou do francês contraplongée. Basicamente é quando a câmera filma de baixo para cima para dar uma sensação de um objeto maior ou intimidante. Por isso que comissários de bordo agacham-se ao falar com os passageiros, para ser mais acolhedor e menos intimidante.

Plano Contra-plongée

Claro que tem aquele percepção que a nossa dor é sempre maior, mas vendo aquela cena que no mundo ocidental a pessoa levantaria, iria ao banheiro e lavaria a manga da roupa, colocaria um perfume no máximo e estaria tudo resolvido e pra ela era o fim do mundo ter apenas o cheiro de álcool no corpo, realmente fez eu pensar que os problemas são grandes apenas na perspectiva debaixo pra cima, digamos num plano contra-plongê.

Fisicamente eu os olhava de cima pra baixo, pois eles estavam sentados. E dali, aquela situação beirava ao inacreditável. Fiquei pensando que a gente deveria olhar os problemas assim, de cima pra baixo, pois nossos problemas num plano Plongê são bem mais fáceis de resolver. Além de você ter uma visão mais ampla, eles parecem ser menores.

Plano Plongée – Câmera de cima pra baixo.

2 responses to Problemas em Contraplongê

  1. 

    Tuas-sempre-palavras-de-ensinamento. Beijos

  2. 

    Este post é uma versão literária e analógica do que discutíamos há poucos minutos no chat do facebook, nosso local de encontro e de, por que não, discussão de nossos problemas idiotas.
    As diferenças não precisam tomar proporções grandes, como em nações diferentes. Temos, na mesma rua, na mesma cidade, pessoas com opiniões tão ridículas e contraditórias que me assustam. Diferente de ti, como tu mesmo disseste, não sou diplomático. Por conta disto, creio que alcancei certos problemas que poderiam ser evitados. Vivendo e aprendendo…
    Hoje, com este post, mais um: encarar os problemas num plano plongée. Como eu não havia pensado nisso antes? Ainda bem que teu silêncio não é um problema que ostento. A amizade, por outro lado, é uma grande dádiva que Alá me deu (risos).
    =D

Deixa um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s