Pra lá de Bagdá!

10/08/2012 — 3 comentários

Quando eu era piá, estava assistindo TV com a minha mãe e passou um comercial do Beto Carrero World. Ela, na sua simplicidade, disse: “Eu só morro depois de ir ao Beto Carrero”. Pode parecer simples, mas era um sonho dela. Alguns anos depois fomos ao Beto Carrero, ela realizou o seu sonho e logo em seguida ficou doente e veio a falecer. Certa vez com uma colega de escola comentei sobre essa história e disse “e eu só morro depois de conhecer Nova Iorque”. Dadas as circunstancias, idade e condições financeiras, NY era a coisa mais inatingível naquele momento. Algo que, infantilidade à parte, me afastaria de “ficar doente e morrer”.

Isso ficou gravado na minha cabeça, pois eu era criança e meu maior sonho era conhecer New York. Anos se passaram e por ironia do destino, acabei indo a NY muito antes do que eu imaginava. Andando pela 5th Avenue, voltei a lembrar da história e comentei com uma amiga. Disse que não imaginava que estaria ali aos 21 anos. Já que estava ali e eu não queria morrer tão cedo, infantilidade à parte II, joguei a maldição do destino para o lugar que eu nunca iria na vida: “Eu não morro sem ir à Bagdá!”.

E novamente por ironia do destino, olha onde eu estava hoje pela manhã.

Uma bobagem de criança, mas que até hoje ficou guardado na minha memória. Ainda mais que quando estava fazendo meu café da manhã, estabanado do jeito que sou, deixei o vidro do sal cair no chão. O vidro quebrou e o sal esparramou. Novamente lembrei da minha mãe falando que isso dava azar. “Azar”, saindo pra um vôo para Bagdá, não é uma coisa que seduz as 5 da manhã.

– Mães! Por favor, cuidem as bobagens que vocês falam para seus filhos. Depois criam adultos abobados e não sabem o motivo. 🙂

Já sobre Bagdá, não sei se posso dizer que fui até a cidade, já que este é um vôo super curto, então rola o famoso turn around, ou bate e volta, a gente vai e nem saí do avião. Espera os faxineiros limparem o avião e volta duas horas depois. De Bagdá eu só vi o aeroporto, a cidade de cima e os iraquianos.

Fiquei muito impressionado. Todos os passageiros, sem exceção, eram muito educados. Até aqueles que não falavam inglês, dava para perceber, mesmo em árabe, que eram muito queridos. Falavam baixo, agradeciam e tentavam manter o avião limpo. Coisa que não é comum em muitas nacionalidades. O lado bom de subestimar as pessoas é que a gente não se decepciona, mas se surpreende. E foi isso que aconteceu.

Além dos Iraquianos, havia também americanos indo e vindo. Ver americanos sentadinhos ao lados dos Iraquianos ao mesmo tempo que soa estranho é até bonito de ver, gerou por segundos, lá no fundo, um sentimento de esperança na “paz mundial”. #MissUniverso.

Pena que foi só por alguns segundos!

Pensei em inventar um novo destino para falar que não morro antes de conhecer, mas no ritmo que a vida anda, só o Curiosity, que está em Marte, está em um lugar impossível de eu conhecer.

3 responses to Pra lá de Bagdá!

  1. 

    assim, ó: tu não morre antes de EU conhecer Bagdá 😉

  2. 

    vida loka

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